quinta-feira, 19 de abril de 2018

REFLEXOS CULTURAIS NA ARTE DA DANÇA CALÉ – SITUAÇÃO ATUAL

    No I Seminário de Cultura e Identidade Rhomá que aconteceu no dia 05 de abril deste ano em Volta Redonda no Sul Fluminense, fui convidado pela romi e amiga Alessandra Tubbs para integrar a mesa dos palestrantes. Óbvio  que me senti lisonjeado, mas confesso que um tanto ou quanto aflito por conta da importância do evento. Preferi ler arefera palestra, em vez de falar de improviso, pois tinha 20 minutos para expor o tema e quem bem me conhece sabe o quanto falo! A seguir deixo então a réplica do meu tema, que é o título deste artigo.


     "ANTES DE INICIAR, QUERO AGRADECER AO MEU PAI JÁ FALECIDO HÁ 18 ANOS E QUE ME DEIXOU COMO LEGADO SER SEMPRE HONESTO E SINCERO EM TODOS OS ATOS DE MINHA VIDA, TAMBÉM AGRADECER AOS AMIGOS DA ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PERERIRA E QUE MUITO ME ORGULHARIA SE EU OS TIVESSE CONHECIDO QUE SÃO OS CIGANOS DR. OSVALDO MACEDO, SR. ZURKA ESBANO E ESMERALDA LIECHOCK E O ESCRITOR SR. ÁTICO VILLAS-BOAS DA MATA DE QUEM CRISTINA SEMPRE TEVE APOIO DELES NAS CAUSAS A FAVOR DESTA ETNIA.

     EM ESPECIAL AOS ANCESTRES DE MEUS AMIGOS AQUI PRESENTES MARCOS RODRIGUES E MIKKA CAPELA E MAIS DO QUE ESPECIAL, PELA CONFIANÇA NA MINHA PESSOA À FAMÍLIA TUBBS REPRESENTADA HOJE NA FIGURA DA ANFITRIÃ ALESSANDRA TUBBS. EM PARTICULAR, À MINHA AMIGA LIDELBA TUBBS, A FALECIDA MÃE DE ALESSANDRA, QUE ME CONTOU ALGUMAS POUCAS HISTÓRIAS EM NOSSOS PAPOS QUANDO ESTIVEMOS SOZINHOS ALGUMAS VEZES.

     O QUE FAÇO HOJE, FAÇO POR RESPEITO E HONRA A ESTA ETNIA E PORQUE NADA ALMEJO A NÃO SER AQUILO QUE ELES QUEREM: O RESPEITO.

     SEGUNDO O DICIONÁRIO AURÉLIO, A PALAVRA “PRECONCEITO” POR DEFINIÇÃO SIGNIFICA “CONCEITO OU OPINIÃO FORMADO ANTECIPADAMENTE SEM MAIOR PONDERAÇÃO OU CONHECIMENTO DOS FATOS” OU AINDA “SUSPEITA, INTOLERÂNCIA, ÓDIO IRRACIONAL OU AVERSÃO A OUTRAS RAÇAS, CREDOS, RELIGIÕES, ETC”.

   E SOBRE A PALAVRA “DISTORCER”, O MESMO DIZ “MUDAR O SENTIDO, A INTENÇÃO, DESVIRTUAR”.

REFLEXOS CULTURAIS NA ARTE DA DANÇA CALÉ – SITUAÇÃO ATUAL

     O vídeo a seguir é uma edição de vídeos dispostos na internet e que precisou ser editado por conta de sua longa duração, mas que serve apenas para justificar a minha narrativa. Estes vídeos estão disponíveis no site do You Tube de forma livre.



     Foi pensando na posição de ouvinte que encontrei o que dizer. Bolei estas perguntas que eu gostaria que fossem respondidas.

  1) O QUE É ESTUDAR UMA DANÇA COM MATRIZ ÉTNICA?

     AS DANÇAS COM MATRIZ ÉTNICA SÃO AQUELAS CUJA EXPRESSIVIDADE ESTÁ CALCADA NAQUILO QUE PENSA, AGE E SENTE DA VIDA AQUELE POVO AO QUAL ELAS REPRESENTAM. COM ISSO, ESTUDAR UMA DESTAS DANÇAS NÃO BASTA APRENDER SOMENTE OS CARACTERES DELA SEM ENTENDER A HISTÓRIA DE SEU POVO, SUA LÍNGUA QUANDO POSSÍVEL, SEU MODO DE VIDA COMO COSTUMES, ALIMENTAÇÃO, COMPORTAMENTO SOCIAL NO ÂMBITO GRUPAL E FAMILIAR E SUAS VESTIMENTAS DE ACORDO COM A REGIÃO ONDE ESTÃO.  O ESTUDO CULTURAL DO POVO AO QUAL A DANÇA REPRESENTA É FUNDAMENTAL PARA COMPREENSÃO DA ESTÉTICA E DA ESSÊNCIA DESTE POVO.

  2) COMO DESCOBRI OS CIGANOS?

     AO ESTUDAR FLAMENCO QUIS ENTENDER, ALÉM DA DANÇA QUE É, AQUILO O QUE SE CANTA E FUI FAZER CURSO DE INTENSIVO DE LÍNGUA ESPANHOLA. TIVE DIVERSOS PROFESSORES LATINOS E DESCOBRI QUE ALI NENHUM DELES ENTENDIA POR COMPLETO AQUELE CANTO. FOI UM PROFESSOR ESPANHOL QUE DEU A DICA DIZENDO QUE ESTE TIPO DE MÚSICA SE PARECIA COM A QUE OUVIA DE UNS CIGANOS EM SUA TERRA NATAL. FORA ISSO, LEMBREI DAS BASES HISTÓRICAS DE FORMAÇÃO DO FLAMENCO ONDE OS CIGANOS ESTAVAM EM PRIMEIRO PLANO NOS DESTAQUES . NOS ANOS 80 A INTERNET NÃO ERA POPULAR COMO HOJE E FUI ATRÁS DE LIVROS NACIONAIS E IMPORTADOS SOBRE CIGANOS. ENCONTREI MUITO MATERIAL NACIONAL ESOTÉRICO E APENAS UM LIVRO SEM MISTICISMOS DA ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PEREIRA QUE HOJE É MINHA AMIGA. FOI A PARTIR DELA QUE COMECEI A ESTUDAR SOBRE CIGANOS E ADENTREI AS FESTAS DITAS CIGANAS COM CIGANOS VERDADEIROS, AMANTES DESTA ARTE E MUITOS FALSOS CIGANOS SEM QUE EU SOUBESSE FAZER A DISTINÇÃO DISSO. FORA OS LIVROS QUE CONSEGUI IMPORTAR EM LÍNGUA ESPANHOLA, O QUE FAÇO ATÉ HOJE, E QUE SE UTILIZAM DE DADOS FACTUAIS, OU SEJA, REGISTRADOS PELA HISTÓRIA DOS CIGANOS NA ANDALUZIA; SEJAM POR ELES MESMOS, POR ANTROPÓLOGOS OU "CIGANÓLOGOS".

     DA MESMA FORMA ADENTREI AS OUTRAS CULTURAS QUE ENVOLVEM A BASE DO FLAMENCO QUE SÃO OS MOUROS, ESPANHÓIS MIGRANTES DE OUTRAS REGIÕES DA ESPANHA E JUDEUS. NA VERDADE PRECISEI ENTENDER A HISTÓRIA DA ESPANHA A PARTIR DA INVASÃO MOURA PARA ENTENDER A HISTÓRIA DO FLAMENCO.

     MAS FOI A HISTÓRIA DOS CIGANOS QUE MAIS DESPERTOU MINHA CURIOSIDADE POR TAMANHA INTERFERÊNCIA NA HISTÓRIA DO FLAMENCO. QUASE TODOS OS LIVROS QUE LI REMETIAM A ELES AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES DO FLAMENCO. O DIFÍCIL FOI ENTENDER AS DIVERGENTES HISTÓRIAS AQUI NO BRASIL COM AS PESSOAS QUE SE DIZIAM (E MUITAS SE DIZEM ATÉ HOJE) CIGANAS E AS POUCAS FAMÍLIAS QUE ME PERMITIRAM ADENTRAR SEU CÍRCULO FAMILIAR E QUE NENHUMA DELAS ERA DO GRUPO CALON.

     DESTA FORMA FUI ANALISANDO TUDO QUE CAPTEI DE INFORMAÇÃO SEPARANDO OS ESOTÉRICOS E MÍSTICOS PARA ENXERGAR AS INTERSESSÕES DAS HISTÓRIAS DAQUI COM AS DOS CIGANOS DA PENÍNSULA IBÉRICA, POIS FOI ESTUDANDO A HISTÓRIA DESTE POVO QUE DESCOBRI O GRUPO DOS CALONS PORTUGUESES E ESPANHÓIS; BEM DIFERENTES DOS QUE ENCONTREI, OS ROM.

     DAQUI DO BRASIL TEMOS A MAIOR COLÔNIA DE DESCENDENTES DOS CALONS PORTUGUESES POR CONTA DAS FAMÍLIAS DEGREDADAS PARA CÁ NA ÉPOCA DO BRASIL COLÔNIA COM FAMÍLIAS NA BAHIA E NO RIO DE JANEIRO ESPECÍFICAMENTE. HOJE ESTÃO ESPALHADOS EM MUITOS ESTADOS DO NORDESTE, DO SUDESTE E DO SUL DO BRASIL. QUANTO AOS CALONS ESPANHÓIS, A MAIORIA IMIGRANTE PAROU NA ARGENTINA NÃO FAZENDO SEQUER UM EQUILÍBRIO COMPARÁVEL COM O NÚMERO DE DESCENDENTES DOS CALONS PORTUGUESES AQUI.

  3) COMO ISSO INTERFERE NO APRENDIZADO?

     EM QUALQUER DANÇA DE MATRIZ ÉTNICA O COMPORTAMENTO DESTES POVOS, NO CASO EM DESTAQUE OS CIGANOS, DEMONSTRAM EM SUAS ARTES COMO SE COMPORTAM E COMO PERCEBEM AQUILO QUE FAZEM NO SEU COTIDIANO. O FLAMENCO É UMA ARTE QUE FALA SOBRE OS SENTIMENTOS DA VIDA E É NESTA ARTE QUE OS CIGANOS DA ESPANHA RELATAM AS COISAS BOAS E PRINCIPALMENTE OS QUEIXIOS DA VIDA. RECONHECENDO ESTES CÓDIGOS DE COMPORTAMENTO É POSSÍVEL VER SE AQUILO QUE SE APRESENTA SE RELACIONA DIRETAMENTE COM A ARTE EXPOSTA. ATÉ O INÍCIO DO SÉCULO XX ACREDITAVA-SE QUE SOMENTE CIGANOS PODIAM EXECUTAR A ARTE FLAMENCA, MAS ESTE TABU FOI ROMPIDO EM 1922 COM UM CONCURSO ORGANIZADO POR DOIS NÃO-CIGANOS (O MÚSICO MANUEL DE FALLA E O POETA FEDERICO GARCIA LORCA) E DESDE ENTÃO, LÁ NÃO FAZEM MAIS ESTA DIFERENÇA. NÃO IMPORTA MAIS QUEM SENTE AS EMOÇÕES DA VIDA SE SÃO CIGANOS OU NÃO. E É POR ISSO QUE ESTA ARTE SE UNIVERSALIZOU E PERDEU SUA TERRITORIEDADE, MAS CARREGANDO SEUS ELEMENTOS BÁSICOS DOS POVOS DAQUELA REGIÃO, PRINCIPALMENTE DOS CIGANOS.

     COM ISTO QUERO DIZER QUE QUAISQUER OUTRAS LINGUAGENS QUE NÃO CONTENHAM ESTAS REFERÊNCIAS PASSARÃO POR ESTILISMOS E AJUDARÃO NA INVENÇÃO, OU PIOR, NA DETURPAÇÃO DA CULTURA A QUAL A DANÇA DE MATRIZ ÉTNICA REPRESENTA, INCLUSIVE NO FLAMENCO E SUAS COIRMÃS.

 4) CIGANOS DEPORTADOS DA PENINSULA IBÉRICA NO BRASIL COLÔNIA - PARTE DE NOSSA HISTÓRIA IGNORADA E NÃO CONTADA

     QUANDO ENCONTREI A ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PEREIRA DESCOBRI POR QUAL CAMINHO TRILHAR NAS PESQUISAS. A EXPULSÃO DOS CIGANOS DA PENÍNSULA IBÉRICA SE DEU POR CONTA DE UMA PERSEGUIÇÃO A QUALQUER POVO QUE NÃO FOSSE CATÓLICO. ISSO SE DEU POR CONTA DA RECONQUISTA DA PENÍNSULA IBÉRICA QUE EXPULSAVA OS MOUROS QUE ALI CONQUISTARAM E VIVERAM POR 700 ANOS. CIGANOS CHEGARAM POUCO ANTES DA RECONQUISTA E FICARAM ALI NA ANDALUZIA, SUL DA ESPANHA. COM A RECONQUISTA, TIVERAM QUE SE READAPTAR AS CONDIÇÕES LOCAIS MAIS UMA VEZ TENDO QUE CAMUFLAR SUA LÍNGUA (DAÍ SURGE A LÍNGUA CALÓ), SE MISTURARAM COM ESPANHÓIS E ALGUNS MOUROS E ALI SE FIXARAM. 

    ALGUMAS FAMÍLIAS SEGUIRAM PARA PORTUGAL E FIZERAM O MESMO. PORÉM ALGUNS FORAM DESCOBERTOS LÁ E ENVIADOS PARA A COLÔNIA NA AMÉRICA COMO DEGRADADOS. A EXPULSÃO OU A MORTE ERA EXTENSIVA PARA QUALQUER CIDADÃO OU ESTRANGEIRO QUE NÃO FOSSE CRISTÃO INDEPENDENTE DE SUA ETNIA EMBORA O FOCO PRINCIPAL FOSSE EXPULSAR OS MOUROS.

     E VI QUE NÓS IGNORAMOS TOTALMENTE ESTA MINORIA ÉTNICA NA CONSTRUÇÃO E NA HISTÓRIA DE NOSSO PAÍS, POIS OS MERCADORES DA ÉPOCA, SENÃO OS PRIMEIROS, ERAM CIGANOS QUE, POR NATUREZA, JÁ SÃO COMERCIANTES. MUITOS ERAM MEIRINHOS DA CORTE, FABRICAVAM ARMAS PARA A COROA, ENTRETINHAM OS REIS COM SUAS DANÇAS E CANTORIAS ALEGRES, MAS A MAIORIA ERAM COMERCIANTES.

  5) CIGANOS BRASILEIROS E SUAS DANÇAS

     DESDE ENTÃO OS CALONS PORTUGUESES AQUI FICARAM E GRADATIVAMENTE PERDERAM O ELO COM A EUROPA E O RESTO DO MUNDO. AQUI SE READAPTARAM MAIS UMA VEZ E MANTIVERAM APENAS O QUE OS MAIS ANTIGOS DEIXARAM. COMO A ETNIA CIGANA É ADAPTÁVEL POR ONDE PASSA, POR AQUI NÃO FOI DIFERENTE. RECONSTRUÍRAM SUAS VIDAS E ABSORVERAM OS COSTUMES E RELIGIÃO DAS REGIÕES POR ONDE SE ESTABELECERAM. NASCE UM NOVO DIALETO, O SHIB DE CALON (SIGNIFICA "LÍNGUA DE CALON" NA TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS). ISSO DIZ RESPEITO ÀS FORMAS CULTURAIS LOCAIS. COM ISSO, NO NORDESTE DANÇAM FORRÓ, NO SUDESTE SE LIGAM MAIS AO SERTANEJO E ASSIM VAI A TODAS AS REGIÕES ONDE SE ENCONTRAM CIGANOS CALÉ (FORMA MAIS ADEQUADA PARA DESIGNAR O PLURAL DE CALON) COM ANCESTRAIS PORTUGUESES. NÃO HÁ RELATOS ATÉ ESTE INSTANTE DE CALÉ ESPANHOL NO BRASIL.

     NO SÉC. XIX, SE NÃO ME ENGANO, OUTRA LEVA DE CIGANOS CHEGA AO BRASIL, MAS POR SITUAÇÕES BEM DIFERENTES DA ÉPOCA DO BRASIL COLÔNIA. ESTES VIERAM DE PAÍSES DO LESTE EUROPEU E TROUXERAM SUAS DANÇAS SE DIFERENCIANDO DOS CALÉ QUE ESTÃO AQUI DESDE O SÉCULO XVI. A MAIORIA DAS DANÇAS POSSUI INDUMENTÁRIA MUITO DIFERENTE DOS CALÉ.

     NO NORDESTE É POSSÍVEL VER ENTRE AS NÔMADES E SEMINÔMADES A HERANÇA CULTURAL DA PENÍNSULA IBÉRICA NAS VESTES E NOS PENTEADOS. BEM DIFERENTE DA LEVA POSTERIOR, OS RONS, QUE TEM SUAS VESTES MAIS PARECIDAS COM AS REFERÊNCIAS QUE CONHECEMOS HOJE QUANDO SE MOSTRAM...MESMO QUE DE FORMA MUITO ROMANCEADA POR NÓS.

     MAS AINDA ASSIM NÃO VEREMOS ENTRE ALGUNS DOS NÔMADES AQUELAS VESTES QUE ACREDITAMOS TEREM. ELES ESTÃO MUITO BEM ADAPTADOS AO VESTUÁRIO BRASILEIRO DA REGIÃO. FICA MAIS FÁCIL RECONHECÊ-LOS PELAS MULHERES QUE PARECEM MANTER ATÉ OS DIAS ATUAIS AS REMINISCÊNCIAS DAS ROUPAS EUROPÉIAS DA ÉPOCA E ADAPTADAS AOS TECIDOS QUE TEMOS AQUI. AS CALINS LEMBRAM MUITO AS ESPANHOLAS E PORTUGUESAS DA ÉPOCA. E O COLORIDO EXTRAVAGANTE É CARACTERÍSTICO ENTRE ELAS.

     O QUE VEMOS E RECONHECEMOS SÃO APENAS OS NÔMADES, POIS OS SEMINÔMADES E OS SEDENTÁRIOS COSTUMAM USAR ROUPAS COMO AS NOSSAS PROVANDO MAIS UMA VEZ QUE SE ADAPTAM BEM A NOSSA CULTURA. É BEM PROVÁVEL QUE VOCÊS POSSAM TER VIZINHOS CIGANOS SEM NUNCA PERCEBEREM ISSO. NÃO HOUVE AQUI, DESDE ENTÃO, NENHUMA EXPRESSÃO NOVA NAS DANÇAS CALÉ BRASILEIRAS, SALVO AS DAS REGIÕES ONDE VIVEM.

  6)  E SOBRE OS OPORTUNISMOS E DISTORÇÕES CULTURAIS?

     É INEGÁVEL QUE HOUVE UM "BOOM" ARTÍSTICO APÓS A NOVELA "EXPLODE CORAÇÃO" ONDE O TEMA CENTRAL ERA DE UMA CIGANA QUE ROMPIA AS TRADIÇÕES DA CULTURA AO QUERER FUGIR DO CONTRATO ENTRE DUAS FAMÍLIAS PARA SEU CASAMENTO E SE CASAR COM UM NÃO-CIGANO. NESTA NOVELA MUITAS INFORMAÇÕES CULTURAIS APARECERAM DISTORCIDAS, MISTURADAS OU INVENTADAS. 

     DESDE ENTÃO SURGIU A ADORAÇÃO A SANTA SARA (ATÉ ENTÃO DESCONHECIDA DA GRANDE MAIORIA DOS CIGANOS BRASILEIROS), EXPRESSÕES VERBAIS QUE NÃO SÃO PRESENTES EM TODOS OS GRUPOS DE CIGANOS DO MUNDO E A EXPLORAÇÃO DE ADEREÇOS DITOS CIGANOS COMO HOMENS VESTIDOS PARECENDO PIRATAS, MULHERES COM SAIAS MUITO RODADAS E EXAGEROS NOS ACESSÓRIOS. SURGIRAM CENTROS ESPÍRITAS SE DIZENDO DE MATRIZ CIGANA COM GENTE SE DIZENDO DESCENDENTES DE CIGANOS, CARTOMANTES E QUIROMANTES DENTRO DE CASAS ESOTÉRICAS E ESPÍRITAS. E ATÉ MESMO RITUAIS FEITO POR ALGUM SACERDOTE QUE SE INTITULOU HERDEIRO ESPIRITUAL OU DE SANGUE CIGANO CRIANDO VÁRIOS RITUAIS PARA TUDO. POSSUO NO MEU BLOG, PARA QUEM SE INTERESSAR, A TRADUÇÃO LIVRE E AUTORIZADA DOS AUTORES SOBRE UM ARTIGO FEITO PARA UMA REVISTA FRANCESA FALANDO DA FALSA IDENTIDADE CIGANA NO BRASIL. ESTA PESQUISA FOI FEITA PELA ESCRITORA CRISTINA DA COSTA E PELO ROM ANTONIO GUERREIRO. ALI SE RELATA EXATAMENTE E COM PRECISÃO O QUE LHES CONTO AQUI. 
(RELATOS E FATOS PARTE I
     NÃO PODEMOS ESQUECER QUE QUALQUER ETNIA TEM ALGO DE COMUM A NOSSA. SÃO HUMANOS E PASSÍVEIS DOS MESMOS ERROS QUE NÓS, NÃO-CIGANOS, COMETEMOS. ENTÃO NÃO É DIFÍCIL ENTENDER QUE ENTRE OS SEUS ENCONTRAREMOS TAMBÉM AQUELES QUE SÃO CONTRAVENTORES E OPORTUNISTAS E QUE SE ALIAM AOS FALSOS CIGANOS E OS OPORTUNISTAS PARA RETIRAREM ALGUM LUCRO PARA SI SEM RESPEITAR A ETNIA OU MESMO SEQUER AJUDÁ-LOS NA INTEGRAÇÃO E COEXISTÊNCIA SOCIAL. E PIOR, COM AS DISTORÇÕES CULTURAIS E INVENCIONICES, CRIAM E AMPLIAM AQUILO QUE ESTA ETNIA TRABALHA EM TODA SUA EXISTÊNCIA EM COMBATER QUE É O PRECONCEITO. E COMO TODO BRASILEIRO INDEPENDENTE DE SUA ETNIA, ELES ESTÃO SOB A TUTELA DE NOSSA LEGISLAÇÃO DEVENDO SEREM JULGADOS E PUNIDOS CONFORME A INFRAÇÃO COMETIDA. NÃO É O FATO DE SEREM CIGANOS E TEREM SUA LIBERDADE QUE OS REDIMA DE CUMPRIREM COM AS OBRIGAÇÕES DE NOSSAS LEIS SEGUNDO AQUILO QUE LHES É CONFERIDO. PARA ISSO, A PROFESSORA JOSYCLER ARANA TERÁ A PALESTRA DELA. ESTE FATO É LAMENTÁVEL QUANDO USADO POR ALGUNS ELEMENTOS DESTA ETNIA PARA JUSTIFICAREM SEUS ERROS DENTRO DA ESFERA ARTÍSTICA E CULTURAL IGNORANDO E DESRESPEITANDO SEUS ANCESTRAIS E AQUILO QUE SEUS SEMELHANTES TENTAM MANTER.

     SOBRE DANÇA CIGANA CALÉ BRASILEIRA TENHO A FALAR QUE NOSSOS CIGANOS DANÇAM AS DANÇAS DOS LOCAIS ONDE VIVEM. NÃO EXISTE OUTRO TIPO DE DANÇA QUE NÃO SEJAM AS QUE CONHECEMOS EM NOSSO VASTO TERRITÓRIO NACIONAL QUE PUDE CONSTATAR EM ALGUMAS PALESTRAS, VÍDEOS E DOCUMENTÁRIOS QUE VI. SOMENTE OS DE SUA ETNIA PODEM COMERCIALIZAR AS MAIS REAIS DANÇAS DE SEUS FAMILIARES. POR CONTA DO PRECONCEITO ATRAVÉS DE SUA EXISTÊNCIA, QUANDO EXPÕEM DANÇAS FAZEM PELO SIMPLES COMÉRCIO E PARA A SUBSISTÊNCIA DA FAMÍLIA E NÃO TEM CARÁTER DE FIDELIDADE AS QUE SÃO FEITAS NO ÂMBITO FAMILIAR OU DOS ACAMPAMENTOS QUANDO ESTES SÃO NÔMADES.

     ASSIM COMO EM TODOS OS OUTROS PAÍSES POR ONDE PASSARAM, OS CIGANOS ABSORVEM O FOLCLORE LOCAL E DÃO SUA ASSINATURA AO EXECUTAREM DENTRO DO COMÉRCIO. OS ANTROPÓLOGOS E CIGANÓLOGOS SEMPRE CHEGAM A MESMA CONCLUSÃO DE QUE ELES MESCLAM O QUE TRAZEM COM O QUE ENCONTRAM, MAS NÃO DISTORCEM NEM INVENTAM UM NOVO FOLCLORE PARA O PAÍS OU REGIÃO ONDE ESTÃO VIVENDO.

  7) QUAIS SÃO OS REFLEXOS CULTURAIS NA ARTE DA DANÇA CALÉ BRASILEIRA? – SITUAÇÃO ATUAL

     QUANDO ALESSANDRA ME CONVIDOU PARA PALESTRAR HOJE, LHE DISSE QUE ALÉM DE NÃO SER CIGANO EU NÃO SABERIA DE QUE FORMA PODERIA CONTRIBUIR PARA ESTE PROJETO A NÃO SER COM A DANÇA QUE É MINHA ESPECIALIDADE. “O EVENTO NÃO TEM DANÇA ALGUMA, MAS VOCÊ PODE CONTRIBUIR COM SUAS PESQUISAS SOBRE OS CALÉ DAQUI”, FOI O QUE ME DISSE ELA.

     ESTUDO A ARTE FLAMENCA DESDE 1984 E COMECEI A ESTUDAR A CULTURA CIGANA DESDE 1987 QUANDO COMPREI O LIVRO “POVO CIGANO” NO DIA DE SEU LANÇAMENTO E TAMBÉM QUANDO CONHECI A ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PEREIRA NUMA FESTA CIGANA NO CLUBE LAGOINHA EM SANTA TERESA NO RJ. DEPOIS DESTE LIVRO BUSQUEI OUTRAS FONTES SUGERIDAS NA BIBLIOGRAFIA. VOLTAMOS A NOS VER EM 2011 OUTRA VEZ EM SANTA TERESA E DESDE ENTÃO NÃO PARAMOS NOSSOS CONTATOS.

    A SOCIEDADE CIGANA É BEM RESTRITA E POUCOS DE NÓS PODEMOS ACESSAR SE NÃO FOR-MOS CONVIDADOS POR ALGUM ELEMENTO DA ETNIA POR CONTA DA CONFIANÇA QUE DEPOSITAM NA GENTE. E MESMO ASSIM, SOB OS OLHARES ATENTOS DOS OUTROS POR CONTA DE SUA NATURAL HISTÓRIA DE PERSEGUIÇÃO E PRECONCEITO GERADOS POR NÓS, NÃO CIGANOS. NÃO É TÃO SIMPLES ASSIM CONSEGUIR INFORMAÇÕES PRECISAS SE A GENTE NÃO FOR CONVIDADO POR ELES. NINGUÉM ENTRA A BEL PRAZER EM CASAS OU ACAMPAMENTOS CIGANOS COMO TURISTAS COMO DIVULGAM POR AÍ.

     COM ESTUDOS QUE CONTINUO FAZENDO NA CULTURA POSSO DIZER QUE NOSSOS CIGANOS CALÉ ESTÃO ADAPTADOS AS CULTURAS LOCAIS ONDE SE ESTABELECEM AS SUAS COMUNIDADES PELOS VÁRIOS ESTADOS BRASILEIROS. O QUE VEMOS COM MAIS FACILIDADE SÃO OS NÔMADES NORMALMENTE INSTALADOS NAS PERIFERIAS DAS CIDADES ONDE ESTÃO EM FORMA DE RANCHOS E ÀS VEZES PELAS MULHERES QUE USAM ALGO EM SUAS VESTES QUE AS IDENTIFIQUE COMO TAL.

     CONFESSO QUE NÃO TIVE ACESSO A FAMÍLIAS OU A ACAMPAMENTOS DE CALONS BRASILEIROS. MAS CONHECI MARCOS RODRIGUES AQUI PRESENTE NA BANCA, VI VÁRIOS DOCUMENTÁRIOS SÉRIOS DISPOSTOS NA INTERNET E NAS INÚMERAS PALESTRAS DE CRISTINA DA COSTA PEREIRA E EM NENHUM DELES VI ALGUMA DANÇA CIGANA BRASILEIRA QUE SE ASSEMELHE AS ENSINADAS EM DIVERSOS CURSOS DE DANÇA NO PAÍS E MOSTRADAS NAS DITAS FESTAS TEMÁTICAS CIGANAS COMO AUTÊNTICAS DOS CIGANOS CALÉ BRASILEIROS.
     
     A EXEMPLO DO QUE FALO, NÃO TEMOS EM NOSSO FOLCLORE A "RUMBA" NEM MESMO COMO DANÇA. ENTRE OS CIGANOS, ELA É DE ORIGEM ESPANHOLA E POSSUI CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS COMO O USO DEMASIADO DOS QUADRIS E AS FORMAS PERTENCENTES AO FLAMENCO, A DANÇA DO CIGANO ESPANHOL. E POR SUPOSTO, NÃO HAVENDO EM NOSSO FOLCLORE A RUMBA AINDA MAIS COMO DANÇA, NÃO É DIFÍCIL ENTENDER QUE NÃO EXISTE A DANÇA RUMBA CIGANA BRASILEIRA. AINDA MAIS ENTRE OS CALÉ BRASILEIROS QUE É O FOCO DE MEU TRABALHO AQUI NESTE EVENTO.

     ALERTO QUE EM QUALQUER DANÇA DE MATRIZ ÉTNICA PRECISAMOS ESTUDAR E NOS APROXIMAR AO MÁXIMO POSSÍVEL DOS VALORES DO POVO ONDE SE ORIGINA A DANÇA E TENTAR VER E VIVENCIAR AQUILO QUE SE PRETENDE APRENDER, ENSINAR E DANÇAR NO INTUITO DE ORIENTAR SOBRE AQUELA CULTURA DE FORMA CONSCIENTE MESMO QUE DE FORMA LÚDICA.

     É REFLETINDO RACIONALMENTE SOBRE A HISTÓRIA DE NOSSO PAÍS, NOSSAS DANÇAS E COSTUMES QUE PODEREMOS FAZER UM PARALELO SOBRE AS DANÇAS CIGANAS DO CALÉ BRASILEIRO E DISTINGUÍ-LAS DAQUILO QUE SUPOSTAMENTE VENDEM NO MERCADO DE DANÇA. SEJAM POR CIGANOS E NÃO-CIGANOS OPORTUNISTAS QUE CONTRARIAM A NATURAL HISTÓRIA E APENAS AJUDAM A MANTER A DISTORÇÃO CULTURAL AFASTANDO-NOS REALMENTE DA COMUNIDADE QUE PASSA INVISÍVEL NA NOSSA JÁ CONTURBADA SOCIEDADE BRASILEIRA, SALVO QUANDO A FANTASIA E O ESOTERISMO LHES SÃO IMPOSTOS COMO O PRINCIPAL FOCO DE ATENÇÃO, DE INSPIRAÇÃO OU MESMO DE SUA EXISTÊNCIA. UM GRANDE ERRO!

     JUDEUS E CIGANOS SÃO UMA ETNIA E APENAS OS JUDEUS POSSUEM UMA RELIGIÃO, A JUDAICA, DA QUAL QUALQUER ELEMENTO DE QUALQUER ETNIA PODE SE CONVERTER. OS CIGANOS SÃO PLURAIS EM SEU CREDO PORQUE SE ADAPTAM AOS COSTUMES LOCAIS ONDE PODEREMOS ENCONTRAR CIGANOS CATÓLICOS, EVANGÉLICOS, ESPÍRITAS, ATEUS OU QUALQUER OUTRA FORMA DO SEGMENTO RELIGIOSO NA REGIÃO ONDE SE ENCONTRAM. 

     DE FATO, DEVEMOS COMPREENDER TAMBÉM QUE OS CIGANOS NÃO CONSTITUEM EM SI UMA RELIGIÃO E NEM QUALQUER MEMBRO DE OUTRA ETNIA PODE SE CONVERTER A ELA COMO EM OUTRAS RELIGIÕES. SOMENTE NASCENDO E SENDO CRIADO ENTRE ELES. NÃO EXISTE NENHUM MÉTODO DE CONVERSÃO A UMA ETNIA SEJA ELA QUAL FOR!

     E PARA ENCERRAR, SERÁ POSSÍVEL VER QUE NOSSOS CALÉ BRASILEIROS DANÇAM NOSSAS DANÇAS DE ACORDO COM A MODA REGIONAL NÃO TENDO CRIADO NENHUMA DANÇA DIFERENTE OU FORA DE NOSSO FOLCLORE CONFORME É A HISTÓRIA DESTA ETNIA EM TODOS OS PAÍSES POR ONDE PASSAM.

     MUITO OBRIGADO!"

     Houveram outras palestras como a do calon Marcos Rodrigues que fez algumas comparações de sua cultura com a de nosso povo, a do sintó Mikka Capela que os falou da situação atual dos ciganos no país e da professora e doutora em Direito Internacional Josycler Arana que falou sobre apatridia.
  Após nossas palestras tivemos uma mesa redonda para responder mais questionamentos daqueles presentes composto por universitários, estudantes de dança, curiosos da cultura e membros do ministério público da cidade.
     Uma das melhores noites sobre o tema que já pude participar!
     

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Seminário sobre Identidade e Cultura Rhomá em Volta Redonda -RJ

De tantos eventos sobre ciganos feito por ciganos na capital do Rio de Janeiro, este foi o primeiro em tantos anos  ao qual me orgulho por ver resultados, ver a continuação de uma atividade iniciada com o CEC (Centro de Estudos Ciganos) lá nos anos 80 e que, após um hiato temporal, tem uma espécie de continuação, ou nova iniciativa, onde agora são vozes de jovens ciganos que buscam naquele foro a defesa de seus semelhantes.

Tive o prazer em participar como um dos palestrantes, mas consciente do meu lugar de "gadjó" ou "payo" (não-cigano), a convite da amiga e Romi Alessandra Tubbs.

Prefiro replicar suas palavras aqui após a realização deste evento.

Assim, bem deste jeito, é que tenho prazer e ganho muita felicidade em ver e poder contribuir para alguma melhora desta etnia ainda esquecida ou usada para alimentar a xenofilia de muitos.

Para deixar bem claro, não ganhei absolutamente nada a não ser a felicidade de ver meus amigos ciganos conquistando o merecido respeito.

E são de eventos como este que me enriquece nos conhecimentos dos povos ciganos e que em todas as  ocasiões são gratuitos.

Marcos Rodrigues, eu, Josycler Arana,
Mikka Capela e Alessandra Tubbs

Palavras da romi Alessandra Tubbs:

"Um evento que começou ano passado para atender algumas necessidades dos calons nômades que por aqui, VR, passam.

Ontem, 5/4/2018 foi uma noite singular, histórica, reunimos numa mesa os principais clãs ciganos, calon, sinti e rom, em plena harmonia e lutando por uma única causa: respeito a pluralidade étnico religiosa.

Sim, mostramos num seminário na UFF que há esperanças, que há diálogo e podemos coexistir com o mundo não cigano de forma a todos serem contemplados com o direito de ir e vir e exercer sua cultura.

Eu agradeço a participação do poder público de Volta Redonda representado pela secretária de cultura Aline Marah Ribeiro, pela chefe de gabinete da Seplag Bárbara Cunha, pela representante da secretaria da mulher, idoso e direitos humanos Ludmila Aguiar de Assis e pela Juliana. Agradeço a participação dos representantes do poder público de Barra Mansa e Resende que participaram ativamente do seminário, buscando conhecimento e soluções para os romás de suas cidades.

Agradeço a minha querida amiga, doutora Profa Josycler Arana que comprou meu sonho, minha ideia e junto com uma equipe maravilhosa de alunos fez acontecer o seminário na UFF.

Uma carinho e respeito infinito aos meus amigos palestrantes romás que saíram de suas casas, longe de VR e vieram somar, lutar pela causa do nosso povo. Marcos Rodrigues, Professor Eduardo Alentejo e Mikka Capella. Sou eternamente grata pela contribuição de vcs. Sabemos que este foi o pontapé inicial, que muitas coisas ainda temos que fazer, mas não desistiremos... Aonde estiver o conhecimento puro e ético, estaremos lá para absorver e informar.

Um carinho mais que especial a minha amiga Cristina da Costa Pereira, que por motivo de saúde não pode comparecer mas que me mandou um maravilhoso material que utilizei no seminário. Cristina, vc esteve presente e sempre estará presente na vida dos romás. Gratidão pela seu trabalho junto ao meu povo.

Meu amigo, professor do Studio Al-Andalus, Ricardo Samel, sua contribuição foi ímpar... seu trabalho junto à comunidade romá é impecável. Nós o respeitamos... Obrigada pela sua linda contribuição ao seminário. Nós romás agradecemos sua luta e seu carinho aos nossos.

Agradeço aos meus alunos de dança e cultura cigana (William Santos, Mara Lucia De Lacerda Bueno e seu esposo, Katia Aparecida Salustiano Salustiano, Fabiana Amaral, Cludia Rocha, Valdete Machado Neto, Luciana Aleko e seu esposo, que foram com sede de conhecimento. Agradeço as alunas de flamenco do Studio al-Andalus (Cristiane Santana e Juliane Elmôr). Vcs fazem a diferença, buscando conhecimento verdadeiro e assim respeitando a cultura romá.

Não posso deixar de agradecer a minha família (Fábio Tubbs, Henrique Tubbs e Otto) que estavam na UFF na parte de apoio em tudo que precisássemos.

Minha amiga Kurujas Paula, vc representou muito bem o colégio CEJA. Queria que todo professor de história fosse como vc, interessado em conhecer a diversidade cultural e étnico.

Agradeço a todos os presentes, principalmente aos alunos do curso de direito alunos da professora Josycler.

Este seminário foi o pontapé inicial, muito trabalho ainda precisa ser feito. Ao final do seminário tivemos a surpresa que de I Seminário de Cultura e Identidade Romá do Sul Fluminense se tornará II Seminário.... ano que vem com novas propostas e mais conhecimentos estaremos juntos em prol de uma minoria invisível!!!"


sábado, 31 de março de 2018

Fale-me de coisas boas 2

A voz da consciência é silenciosa e revela quem você é de verdade no seu íntimo. É quem impulsiona seus atos mostrando a quem enxerga o verdadeiro retrato de seu caráter. E é difícil lidar com isso quando o lado nefasto dos que te rodeiam descobre que você sabe quem são e o que pretendem. Esta é a parte ruim que alertei em vários artigos que aqui escrevi. Mas agora quero a conexão com o outro lado e falar do caráter honesto, benfeitor e que trabalha em prol das melhorias de seus semelhantes.

Como descobrir estas pessoas num emaranhado de gente onde todas tem a cara igual haja vista que maucaratismo não tem biotipo e nem traz uma placa indicativa?

Existem algumas formas para se descobrir. Uma delas é através de um dom natural que algumas pessoas possuem de forma tão presente e desenvolvida que é a sensibilidade da intuição. A outra diz respeito a mais antiga arte que é a convivência aliada a reflexão ao observar como estas pessoas se portam no cotidiano.

O que devemos aprender é a selecionar com quem queremos manter o vínculo por conta de nossa consciência e se afastar das que vibram divergente de nós.

Sou daquele que acredita no poder daquilo que penso e também nos testes constantes que a vida me aplica para provar a eficiência daquilo que penso.

Atualmente vivemos num momento de total adoração ao erro, a mentira e a egolatria e num lugar onde sua existência e respeito que se espera da maioria só existe se você pensar e agir igual a eles. Mais do que nunca isso ajuda na seleção natural de quem queremos por perto. O que nem sempre resulta no desejo e na confiança de alguns que nos rodeiam.


É prazeroso encontrar pessoas que tenham vibrações de pensamento semelhantes ao seu. E é quando percebo que a qualidade dos que me rodeiam não se relaciona com o tamanho da quantidade que o maucaratismo exige para se sentir pleno.

Em artigos anteriores falei sobre o conhecimento e de sua disponibilidade a qualquer um. Ele é o grande ajustador das relações onde a verdade é velada aos ignorantes. Quando se consegue acessar a fonte original de alguns conhecimentos a gente se torna mais consciente das próprias ações e vai se polindo e selecionando suas relações. 


E este é mais um fator que determina qual dos lados você está quando aplica aquilo que aprendeu. Ser de bom caráter jamais será fora de época, mas apenas te coloca em um time seleto que mostrará quem são seus parceiros de acordo com a vibração de seu pensamento.

Se quer saber onde está parte da felicidade basta usar os conhecimentos de forma sensata e para o bem. Não é difícil se você preza por qualidades tão aprazíveis e profundas como a verdadeira sensação de paz.

Quando se é sensato, honesto e verdadeiro na prática de bons exemplos e pensamentos seus amigos ao redor crescem na qualidade da relação. Mas isso não traz quantidade de pessoas se este é seu objetivo. Serve apenas para glorificar o espírito de quem benfaz em prol da sua e da felicidade do universo.

Os outros? O substantivo já os revela e qualifica. São os "outros".

sexta-feira, 30 de março de 2018

Bata de Cola... Erros comuns


As roupas na dança são o complemento que encerra todo o conteúdo de um trabalho e mostra o quanto aquele artista consegue compor seu figurino e de seu elenco (já que a maioria é autodidata na composição do figurino sem se preocupar com o palo a ser executado ou mesmo se a confecção ou costureira que conheça o estilo) e que segue apenas o padrão ditado pela moda de algumas confecções ou apenas satisfazer seu conceito estético com roupas flamencas.

Vivemos um boom onde a liberdade favorece demais a criatividade, o que é ótimo para quem entende, e a erros muito comuns nesta hora para quem desconhece as necessidades da roupa para dança flamenca.

Não é uma regra da composição de um figurino, mas é de bom senso casar aquilo que se veste àquilo que se baila. No fundo é com medo de errar que o famoso preto é sempre o mais usado seguido do vermelho. Isso só não basta!

No caso da bata de cola vejo muitos erros na modelagem, na composição do material a ser usado e quase sempre o uso de forração com tecidos pesados em tecidos que sequer necessita de forro. Como bem disse minha maestra Inmaculada Ortega, é possível fazer batas com qualquer tecido e eu assino embaixo porque fiz vários testes que deram certo. Os que deram errado obviamente sequer indico a qualquer pessoa ou uso na confecção.

Mas certamente forrar a bata colocando seus volantes (babados) de baixo em tecido a deixará pesada, não dará estrutura para muitas movimentações e a fará sempre embolar e jamais "caer planchada al suelo" (cair aberta sem embolar após alguma passagem nela), além de seu desgaste acelerado pela abrasão ao chão que baila haja vista que estes tecidos não foram feitos para isso.

Também vi batas de confecções amigas e estrangeiras com excesso de cancan (ou outro material similar) ou falta dele, com poucas pregas ou pregas muito  pequenas e distantes uma da outra e quase sem cobrir a área da cola. E vi isso aliado ao que disse acima sobre forração desnecessária ou inadequada em tecidos que não precisam.

O coringa para confecção ainda é o  Oxford e o Crepe Koshibo, mas nada impede o uso de outros tecidos conforme já disse. Até mesmo com sua trama com elastano!

O problema fica por quem modela e confecciona essas batas sem entenderem das propriedades ou, ao menos, conhecerem um pouco do que os tecidos escolhidos podem ajudar ou atrapalhar na dança e ainda assim, sem solucionar estes problemas. Ainda mais sem conhecer a dança...

Recentemente peguei uma bata americana em que o visual é bonito e comum, mas com o erro da forração e pouco cancan além de mal distribuído ocasionando pisões nos babados mais próximos dos pés e as respostas inadequadas aos movimentos exigidos da bailaora. O preço? O mesmo de uma boa e simples de uma boa confecção...

Penso que falta algumas instruções de quem ensina a bailar a como escolher a sua bata e a falta de conhecimentos de quem confecciona as batas.

Estes erros literalmente trazem o gasto absurdo num acessório caro demais e muitas vezes sem solução barata, pois consertar uma às vezes sai ao preço de outra nova quando existe esta possibilidade.

Pode piorar quando a cliente acha caro o valor cobrado por uma bata (cerca de R$1000,00) e dá alguma boa de modelo para uma costureira inexperiente copiar...erra-se mais ainda!

Muitas das vezes o preço de uma bata sai caro por conta do processo do cálculo e da própria montagem trabalhosa e que necessita muito tempo de dedicação. E mais caro ainda quando se usa tecidos nobres ou com bordados ou brocados.

Enfim, nem sempre o visual corresponde a real necessidade da bata de cola para a dança e o máximo que conseguirá é uma bata apenas para desfilar ou usar como fantasia, mas jamais para dançar com as seguranças de uma boa bata.

E como é a moda do momento, #ficaadica #batadecola

Ainda rio quando a bata para consertar é espanhola! Devem lembrar que, mesmo na Espanha, existem pessoas que também caem nos mesmos erros aqui relatados.

Faça sua bata com quem entende ou com recomendação de alguém que usa de alguma confecção conhecida. Se caras demais, peça mais de uma sugestão e faça seu orçamento e compre com segurança uma bata que usará sem o desconforto dos erros acima.

Faço agora a minha autopromoção porque, além de usá-las pra ensinar e dançar com elas, tenho mais de 20 anos de pesquisas e sempre procuro orientações com bailaoras como a própria Inma Ortega e uma colega que mora em Sevilla e trabalha numa confecção de batas.

Escolha a sua com cuidado.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Silêncio em duas faces


Já escrevi sobre o Silêncio e retorno sobre ele outra vez.

Vejo muitos compartilharem e mesmo falarem que o Silêncio é a melhor resposta para o mal junto ao Tempo.

Gostaria de levar esta reflexão mais a fundo porque vejo o silêncio como uma faca bem afiada de um lado e totalmente cega do outro.

Vivemos em um momento no país onde os valores estão muito alterados e onde se enaltece as formas negativas do caráter. Não dá pra enumerar todos, mas falo diversas vezes do Ego e da Vaidade exarcebados que se juntam com a Ambição desmedida.

E quando vemos situações que podem prejudicar outros que podemos alertar? Devemos ficar em Silêncio? Pra mim este tipo de silêncio soa como Conivência com o erro através da Omissão.

Já dizia o ditado "em briga de marido e mulher não se mete a colher". Até onde?

E levanto outros questionamentos como o bullying, o estrupro, o assédio sexual ou moral e a falsidade ideológica. Deve-se calar?

É onde a atual legislação atrasada para o momento em que vivemos falha quando expressamos idéias ou quando acusamos alguém sobre falhas graves. Dá uma chateação com processos que podem durar anos! E ainda correr o risco de perder por falhas da atual legislação! Tudo gerando muitos discursos de ódio na internet.

A Mentira é a mãe de todas elas e pode ser a madrinha do silêncio em caso de omissões.

Acredito na Lei do Retorno também, mas não dá pra ficar no silêncio e apenas se afastar em alguns casos esperando que este "troco" chegue no "seu tempo". Óbvio que não se deve confundir a denúncia com vingança, pois se isto acontecer não será mais uma denúncia. Ainda há aqueles que até a fazem para denegrir os que agem de forma correta e retirá-los de seu caminho por conta de sua honestidade atrapalhar o sucesso do agressor. E ainda dirão que é você que tem inveja do sucesso do outro mesmo que, por mais claro que se possa mostrar, você não galga nenhum tipo de estrelas na sua coroa.

Precisa-se avaliar de qual lado a sua  "faca do Silêncio' está mostrando a face.

Refletir é a solução e deve-se ter a coragem para decidir sempre e não apenas silenciar. Este tipo de silêncio pode parecer fuga de responsabilidade! Este é o lado cego da faca.

O silêncio nos dias atuais é como ver uma boca com um zíper onde não se sabe se está abrindo ou fechando.

Pense em como pode ajudar a melhorar este mundo do qual tanto reclama e nada faz para melhorar. O silêncio pode ser uma inércia muito perigosa e ficar calado ou hibernando não o fará diferente dos que erram descaradamente.

Óbvio que silenciar-se e agir em prol das melhorias com certeza não fará deste silêncio a conivência com os erros cometidos, pois ainda que em silêncio estará trabalhando em prol das melhorias.

Ser polido e diplomático tem sido muito usado pelos "lobos em pele de cordeiro". Então devemos tomar cuidado também nesta hora. Devemos usar da Prudência pra evitar este mal entendido.

Cabe mesmo refletir quando o silêncio é bom ou ruim, pois coisas ruins guardadas contribuem enormemente para a somatização e o surgimento de enfermidades, doenças psicosomáticas e tantas outras responsabilidades ou mesmo algum tipo de câncer.

Ao falar, leve estas dicas em consideração: o que fala, o tom da fala, com quem fala e como este recebe.

Então decida qual é o seu silêncio!

E fica a reflexão:

Cuidado ao usar o Silêncio como arma, pois o Alvo pode ser você.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Rumba no gelo: principal tema na Dança de casais nas Olimpíadas 2018


Quem me conhece sabe o quanto adoro a patinação artística no gelo. Existem dois tipos de competição agora: uma que conhecemos repleta de giros e saltos complicados e outra designada "dança" onde as exigências são diferentes da outra que é mais atlética e esta que tem como foco a dança mesmo. Em ambos os estilos com divisões para masculino, feminino e casal.

Como é na Coréia do Sul este ano, a maioria das exibições passa na madrugada por questão mesmo de fuso horário.

Para minha surpresa consegui ficar acordado nesta madrugada para ver a classificação para casais e qual não foi minha surpresa com o tema pré definindo: Rumba e outros ritmos latinos como a Salsa, Mambo, Bossa Nova, Chacha e até mesmo o Samba!

Os competidores necessitavam exibir uma série de movimentos pré estabelecidos e demonstrar seu potencial criativo na segunda metade da mesma exibição. Fora os caracteres técnicos, a parte artística também é avaliada inclusive na emenda dos passos pré determinados, harmonia com a música e expressividade. Ainda que não entre nas avaliações, óbvio que o figurino ajuda na composição toda.

É fato que quase todos os estilos de dança perdem em essência ali por se tratar de "dançar no gelo sobre patins" e ter que usar de estilismos por conta da forma de exibição.

Foram 24 casais de onde 20 foram selecionados para a final.

Em vários lugares do mundo é comum ver a má exploração que os diversos temas oferecem. Segundo consta, muitos passam 2 a 3 anos fazendo e pesquisando o(s) ritmo(s) que escolheu(ram) para suas exibições.

Na dança convencional não é diferente. Uma leva de artistas da dança infelizmente estuda ou  inventa para encontrar conivências em seu trabalho culturalmente errado ou distorcido. Mas não posso deixar de louvar os artistas que realmente priorizam seu trabalho com respeito as origens e a história da dança que exibe.

No caso da patinação existem os limites que o próprio estilo esportivo impõe pela sua natureza, mas foi brochante ver que quase não encontrei elementos dos estilos escolhidos e apenas um figurino teve referências nisso.

Óbvio que gostei de todo o evento, mas senti na alma a decepção daquele que vê o outro representar seu povo mesmo que estilizado; o que com certeza não teve neste evento. Notei a falta de uma boa pesquisa no que diz respeito aos estilos musicais pertencente ao meu povo e a falta de criatividade nas inúmeras formas para estilizar os figurinos. E não foi falta de tempo porque eles tem, digamos assim, até às vésperas para pesquisas. E olha que muitas equipes possuem em seu quadro até estilistas ou figurinistas!

Ainda bem que este tipo de dança (no gelo) sequer tem alguma pretensão de se dizer representante dos estilos ali apresentados.

Muita falta de estilo regado a belas performances no gelo.

Esquecendo a total falta de representatividade nos estilos musicais (mesmo estilizados) gostei do evento.

Confesso que não tinha visto esse estilo antes por só dar atenção ao outro que é mais olímpico e atlético que é o que mais gosto mesmo.

Adoro mesmo a patinação artística no gelo, mas a olímpica!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Invenções, intervenções, fusões ou confusões no Flamenco

Em artigos passados falei de como provavelmente nasceu o Flamenco, de como tem atravessado o tempo e de como uma série de eventos vem intercedendo principalmente na dança por ser literalmente a mais exposta.
Manuela Vargas

É inegável que todas trouxeram contribuições e que ajudaram na sobrevivência e na atualização desta arte.

Mais uma vez fica no ar a pergunta: qual o limite destas interferências?

Se levarmos em conta que esta arte é extremamente passional, basta vermos o quanto esta essência se apresenta, no caso, na dança que é a forma mais exposta. Gosto de ver a dança como a materialização da voz e da música.

Desde seu auge o Flamenco parece se dividir em dois segmentos onde o mais visível é o comercial, ou seja, feito de acordo com o que o público gosta de ver e que literalmente alimenta egos artísticos. Não cabe aqui citar nomes, mas apenas eu levo em consideração que esta arte tem sido uma forma de gritar aos quatros cantos aquilo que a vida faz nas emoções e muito raramente a forma comercial parece se importar com isso. Mas também não discuto se esta forma é ou não ou se foi uma forma de sobreviver desta arte.

Então penso que se o apresentado cai dentro deste pensamento não importará se a forma apresentada é antiga ou moderna, com técnicas apuradissimas ou mesmo mais simples porque as emoções ali expressas se apresentarão sim.

Os códigos mudaram para melhor, tornaram-se melhor decodificados e mais concisos, mais claros e limpos.

Inmaculada Ortega

Então sinto o mesmo quando vejo Manuela Vargas bailando uma soleá como sinto vendo Inma Ortega e o mesmo se procede com tantos artistas do passado e do presente.

Épocas distintas, linguagens diferentes para expressar o mesmo palo. Então para quem pensa como eu não é difícil ver aonde se estabelece o limite.

Dispenso qualquer comentário sobre os artistas que enganam fazer flamenco. Todos os segmentos da arte tem aqueles que sequer se menciona existir...

Mas também não se deve ignorar os que abriram as portas para o que vemos hoje.