segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Rumba no gelo: principal tema na Dança de casais nas Olimpíadas 2018


Quem me conhece sabe o quanto adoro a patinação artística no gelo. Existem dois tipos de competição agora: uma que conhecemos repleta de giros e saltos complicados e outra designada "dança" onde as exigências são diferentes da outra que é mais atlética e esta que tem como foco a dança mesmo. Em ambos os estilos com divisões para masculino, feminino e casal.

Como é na Coréia do Sul este ano, a maioria das exibições passa na madrugada por questão mesmo de fuso horário.

Para minha surpresa consegui ficar acordado nesta madrugada para ver a classificação para casais e qual não foi minha surpresa com o tema pré definindo: Rumba e outros ritmos latinos como a Salsa, Mambo, Bossa Nova, Chacha e até mesmo o Samba!

Os competidores necessitavam exibir uma série de movimentos pré estabelecidos e demonstrar seu potencial criativo na segunda metade da mesma exibição. Fora os caracteres técnicos, a parte artística também é avaliada inclusive na emenda dos passos pré determinados, harmonia com a música e expressividade. Ainda que não entre nas avaliações, óbvio que o figurino ajuda na composição toda.

É fato que quase todos os estilos de dança perdem em essência ali por se tratar de "dançar no gelo sobre patins" e ter que usar de estilismos por conta da forma de exibição.

Foram 24 casais de onde 20 foram selecionados para a final.

Em vários lugares do mundo é comum ver a má exploração que os diversos temas oferecem. Segundo consta, muitos passam 2 a 3 anos fazendo e pesquisando o(s) ritmo(s) que escolheu(ram) para suas exibições.

Na dança convencional não é diferente. Uma leva de artistas da dança infelizmente estuda ou  inventa para encontrar conivências em seu trabalho culturalmente errado ou distorcido. Mas não posso deixar de louvar os artistas que realmente priorizam seu trabalho com respeito as origens e a história da dança que exibe.

No caso da patinação existem os limites que o próprio estilo esportivo impõe pela sua natureza, mas foi brochante ver que quase não encontrei elementos dos estilos escolhidos e apenas um figurino teve referências nisso.

Óbvio que gostei de todo o evento, mas senti na alma a decepção daquele que vê o outro representar seu povo mesmo que estilizado; o que com certeza não teve neste evento. Notei a falta de uma boa pesquisa no que diz respeito aos estilos musicais pertencente ao meu povo e a falta de criatividade nas inúmeras formas para estilizar os figurinos. E não foi falta de tempo porque eles tem, digamos assim, até às vésperas para pesquisas. E olha que muitas equipes possuem em seu quadro até estilistas ou figurinistas!

Ainda bem que este tipo de dança (no gelo) sequer tem alguma pretensão de se dizer representante dos estilos ali apresentados.

Muita falta de estilo regado a belas performances no gelo.

Esquecendo a total falta de representatividade nos estilos musicais (mesmo estilizados) gostei do evento.

Confesso que não tinha visto esse estilo antes por só dar atenção ao outro que é mais olímpico e atlético que é o que mais gosto mesmo.

Adoro mesmo a patinação artística no gelo, mas a olímpica!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Invenções, intervenções, fusões ou confusões no Flamenco

Em artigos passados falei de como provavelmente nasceu o Flamenco, de como tem atravessado o tempo e de como uma série de eventos vem intercedendo principalmente na dança por ser literalmente a mais exposta.
Manuela Vargas

É inegável que todas trouxeram contribuições e que ajudaram na sobrevivência e na atualização desta arte.

Mais uma vez fica no ar a pergunta: qual o limite destas interferências?

Se levarmos em conta que esta arte é extremamente passional, basta vermos o quanto esta essência se apresenta, no caso, na dança que é a forma mais exposta. Gosto de ver a dança como a materialização da voz e da música.

Desde seu auge o Flamenco parece se dividir em dois segmentos onde o mais visível é o comercial, ou seja, feito de acordo com o que o público gosta de ver e que literalmente alimenta egos artísticos. Não cabe aqui citar nomes, mas apenas eu levo em consideração que esta arte tem sido uma forma de gritar aos quatros cantos aquilo que a vida faz nas emoções e muito raramente a forma comercial parece se importar com isso. Mas também não discuto se esta forma é ou não ou se foi uma forma de sobreviver desta arte.

Então penso que se o apresentado cai dentro deste pensamento não importará se a forma apresentada é antiga ou moderna, com técnicas apuradissimas ou mesmo mais simples porque as emoções ali expressas se apresentarão sim.

Os códigos mudaram para melhor, tornaram-se melhor decodificados e mais concisos, mais claros e limpos.

Inmaculada Ortega

Então sinto o mesmo quando vejo Manuela Vargas bailando uma soleá como sinto vendo Inma Ortega e o mesmo se procede com tantos artistas do passado e do presente.

Épocas distintas, linguagens diferentes para expressar o mesmo palo. Então para quem pensa como eu não é difícil ver aonde se estabelece o limite.

Dispenso qualquer comentário sobre os artistas que enganam fazer flamenco. Todos os segmentos da arte tem aqueles que sequer se menciona existir...

Mas também não se deve ignorar os que abriram as portas para o que vemos hoje.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Falando o que penso



Houve época em que eu não tinha limites para falar tudo o que penso. Bastava me darem uma deixa e eu literalmente falava. Principalmente quando era provocado porque nunca tolerei mentiras. Até hoje não a tolero mas não hajo como antigamente.

O tempo ensina para quem quer aprender e ensina a filtrar o que se vai dizer. Aprendi a falar quando solicitado. E antes pergunto sempre "quer mesmo ouvir o que penso, tem certeza?"

Existem outras medidas que são a entonação da voz, o olhar nos olhos e piora quando se escreve por conta das emoções limitadas pela nossa gramática.

Na escrita muda-se uma vírgula e pode mudar tudo. Na fala, além das medidas acima deve-se levar em conta as mesmas medidas do ouvinte. Talvez essa seja a mais difícil de perceber.

Quando supostamente existe um voto de confiança e respeito o que se tem a dizer pode ser na íntegra. O resultado será mostrado de acordo com as referências acima. Não dá pra descartar o lado reflexivo ou impulsivo do ouvinte. 

Em caso de aprendizagem ele vai parar para pensar no que disse por um tempo e depois tomar as decisões que podem ou não serem consoantes àquilo que recebeu de informação.

Em caso de buscas para alentar seus erros e agir impulsivamente, tudo o que disse servirá como verdadeiro revés a você mesmo.

Qualquer pessoa pode ter muitos conhecimentos e pode passá-los para quem lhe convier. Mas nem sempre saberá se valeu a pena, pois sempre tem o lobo em pele de cordeiro.

Algumas opções restam...
Nunca falar...
Falar pela metade...
Falar tudo...
Ou a pior e a que não pratico... mentir.

E aí fica sempre a colheita da escolha e tantos ditos populares que são reais.

"Nem tudo deve ser dito a todos e nem todos devem saber de tudo."

"Recado mediado é como telegrama intermediado."

"Quem fala dos outros pra ti também fala de ti para os outros".

E a melhor pra mim...
"Temos dois olhos, dois ouvidos e uma boca para vermos mais, escutar mais e falar menos."

Enfim, pesos e medidas onde a balança usada nunca é a mesma. Sempre paga-se um preço, bom ou ruim, por aquilo que se fala.

E fica a lição do post abaixo quando, por alguma razão, se resolve falar literalmente o que pensa, mesmo que seja uma verdade para ajudar e possa machucar um pouco...


E é quando vc sabe verdadeiramente com quem falou e o que entendeu.

Paga-se o preço.

Tudo o que disse acima serve para justificar meu afastamento. Respeito as diferentes opiniões. Apenas não consigo tolerar quando um erro ao qual já aprendi se prevalece porque me fica a nítida sensação de conivência.

Sempre estive aberto a correções mas raros foram os que se dispuseram a isso.

Uma amiga disse que sempre nos libertamos quando conseguimos a sabedoria, mas que isso também poderia trazer o isolamento.

Enfim...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Profissionais da Mentira


Em vários artigos que aqui escrevi deixei críticas e alertas sobre o que ocorre no segmento do ensino da dança. Mas desta vez optei por abordar algo mais específico: os profissionais de mentira que possuem DRT e até outros documentos estrangeiros e atuam no mercado de dança.

É fato de que em todo estilo de dança lidamos com exímios bailarinos e dançarinos os quais nos envolve e seduz com sua arte. O problema está na conscientização de quem aprende dança de que este não é o único referencial para correr atrás desta gente e com eles fazer aulas. Isso não quer dizer que muitos destes excepcionais artistas não sejam ótimos professores.

Existe uma grande parcela de ditos "professores" de dança que são uma verdadeira máquina de caçar dinheiro para sustentar seu vício na egolatria. Não discutirei mais que estes dois atributos, o do ego e o da vaidade, que são natos nos artistas. O profissional que quer almejar algo como títulos aparentemente nobres ou mesmo ser reconhecido como o "maior e melhor" do mercado pode passar por cima de muita gente inocente que não enxerga isso sendo usada como catapulta para este topo simplesmente para alimentar a egolatria. De fato e infelizmente, o mercado conta com a popularidade para dar credibilidade ao artista e este acaba sendo um dos referenciais de "profissional reconhecido". Será?

Estes profissionais se aproveitam das mais diversas opções de brechas e caprichos do mundo para se catapultar ao topo. Infelizmente não para louvar a arte, mas alimentar seu ego. A arte é seu instrumento.

Quando aceitei ser professor de dança, também aceitei ser eternamente aprendiz e aluno daquilo que ensino, aceitei a receber críticas mais profundas, questionamentos sobre meu conhecimento e avaliação do erros a serem consertados e, acima de tudo, ser honesto com os aprendizes. Um personagem de um programa de humor da tv aberta fecha sua participação no programa com "se sei digo que sei, se não sei digo que não sei". Pura honestidade. O profissional da mentira nunca terá isso: honestidade.

Os profissionais da mentira são extremamente criativos. Usam deste dom para inventarem suas fontes ou encontrarem as que convém para afirmarem seus erros e até criam novos temas dentro de seu estilo categoricamente afirmando para os outros profissionais honestos de que realmente não tem nenhum domínio daquilo que professa... a não ser a própria mentira. A coleção de certificados de workshops nunca transformará nenhum deles em "apto a" ensinar aquilo que cursou. Certificados e diplomas de pessoas sem reconhecimento do setor e de gente desacreditada pelos idôneos  semelhantes também não compõe a credibilidade de seu profissionalismo.

Estes profissionais normalmente são revestidos de plásticas roupas visualmente bonitas e muitas vezes dentro do perfil. Falamos de dança, movimento casado com música, técnicas apuradas e aperfeiçoadas, consciência e respeito daquilo que executa e não de "modelos" da dança.


Isso fica mais fácil reconhecer nas danças sem escola acadêmica embora nelas também se encontre picaretas de mesmo nível e teor.

Cabe ao contratante se interessar não somente naquele currículo apresentado e as viagens do mundo que fez, mas se dispor o mínimo possível em averiguar suas fontes profissionais e se estas fontes são idôneas. Senão o próprio contratante afirmará que tem o mesmo nível e caráter daquilo que contrata.

É uma luta constante em prol dos verdadeiros artistas da dança que dedicam horas e muito dinheiro em estudos contínuos e o mais regulares possíveis no intuito da consciência, do respeito e do prazer em ser honesto e prosperar a arte de forma salutar.

Nestas horas se coloca em cheque a idoneidade também dos diversos órgãos que deveriam defender a categoria. Não pelo seu tempo de existência e sua função, mas na competência real daquele que aceita e lhe confere o título a esta gente perpetuando a qualidade duvidosa dos profissionais e obviamente daquilo que ensina.

Os profissionais da mentira se valem do mínimo possível para apenas alimentar sua egolatria típica de artistas totalmente desequilibrados moralmente em que, além deste alimento ególatra, destroem a cultura da dança que professam. Piora quando gente de renome os apoiam...

O hábito faz o monge.



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Sobre Danças Ciganas... meu PONTO FINAL.

Alerto que não sou especialista deste setor. Apenas mero admirador desta cultura pela grande interferência na Arte Flamenca que me fez descobrir um vasto universo de manfestações diferentes as quais gostaria de apenas sobresaltar algumas aqui.

Desde que fui investigar as diversas matrizes do Flamenco a que mais me chamou a atenção foi a da cultura cigana. Na verdade a cultura deste povo em muito tem interferências  dentro do Flamenco. Afinal de contas é com este povo que se relata as primeiras manifestações históricas do Flamenco embora não seja delegado a eles a "invenção" do Flamenco. Já escrevi artigos sobre isso neste blog.

É um povo muito singular e colorido e sua história e trajetória pelo mundo é facilmente encontrado em várias fontes principalmente fora do país ou em outras línguas. Livros de autores idôneos, sites feitos por especialistas como historiadores e antropólogos e estudantes que merecem respeito por usarem da razão para traçar uma possível história segundo os poucos dados e relatos "científicos" deste povo e que condizem com o comportamento deles naquilo que se tem acesso e se pode divulgar em respeito a esta sociedade um pouco fechada. Velada talvez seja a melhor palavra.

Aqui no Brasil o boom da dança apareceu depois da novela Explode Coração da autora famosa Gloria Perez que, mesmo com tamanha produção global e colorido característico deste povo, conseguiu ajudar na popularização da existência deles, mas infelizmente com distorcida razão histórica através de sua fictícia novela, ainda que aleguem estar baseada em alguma história real. Ainda assim não é este o fato que abordo. Mas a profusão distorcida de sua cultura pelos atuais artistas da dança e às vezes por alguns músicos e como bem disse um amigo cigano, também os "esquisotéricos" (esquisitos e esotéricos). E esta gente tem misturado gente de toda espécie oportunista na divulgação com erros de conhecimentos. Também já abordei este tema em alguns artigos neste blog. E tenho uma amiga escritora que até publicou um artigo numa revista francesa que também já mencionei aqui neste blog.

Ao estudar a cultura (nunca me aprofundei nas danças) percebi que em cada país sua matriz comportamental se prevalece embora por questões de sobrevivência em cada local, este povo se adapta aos costumes locais facilmente observados em suas vestes, fala (dialetos da língua cigana), religião, culinária e arte de todos os tipos.

Aqui no Brasil infelizmente se utilizam do jargão "dança cigana artística" para justificarem suas performances inspiradas neste povo, o que nem é ruim se levarmos em consideração a ausência da consciência de sua história e comportamento; o que também não é isso que acontece nesta dança. Mas para se libertarem do compromisso com uma proximidade mais fiel, suponho.

Ainda assim vi em muitos locais que ensinam a dança deles como absolutas e sempre com o uso do que chamo de "bate saia" ou como ouvi de alguns ciganos amigos dizerem o "sacode poeira" para definir o frenético sacudir da saia das dançarinas em toda e qualquer dança não respeitando a origem do país a qual a expressão dita artística quer mencionar.

Não basta somente saber qual a roupa daquele subgrupo se não sabe o que dizem suas músicas cantadas para entender às vezes a expressão facial e corpórea daquilo que fazem e o característico comportamento daquele grupo ali vivente. Vale lembrar que quase todas as danças expostas ao povo não-cigano ("gadje" ou "payo", duas das palavras mais usadas por eles) nunca tiveram total fidelidade daquilo que fazem em seus lares haja vista que o velo cultural é a única forma de preservarem sua cultura. Estas danças expostas ao nosso povo são única e exclusivamente para angariar fundos na preservação de suas famílias. Trocando em miúdos, um de seus "ganha pão" para alimentar os custos da família. Ainda assim o que fazem não fogem de sua cultura.

É muito bonito que queiramos também fazer uso desta arte como eles mesmos fazem, mas é também muito feio usar de achismos para justificarem seus atos errôneos nas danças, usar de segmentos de religiões espíritas como fontes idôneas de suas afirmações (imagine que eles são plurais religiosamente falando por conta dos países que passam!). E pior ainda, não dar a devida atenção a uma causa que é real pela existência deste povo em nosso cotidiano mesmo que a visibilidade que eles têm está ligada diretamente a minoria que é nômade. São questões sociais que precisam de uma atenção sim!

Nunca vi nestes anos todos algum interesse realmente voltado para esse povo no caso de ajudar a acabar com preconceitos, aumentar o acesso a saúde e a escola ou mesmo oferecer, ao menos, condições de trabalho ainda que do jeito deles, para comprarem suas necessidades para a vida. Usam artifícios de coleta de alguns bens alimentícios para distribuirem em algum acampamento (o que aconte em alguns casos) mas que vi alguns anfitriões fazerem uso para próprio sustento tirando uma parcela para si. Também vi causas sociais boas e importantes mas em nada na direção desta etnia que realmente só é lembrada como um segmento religioso (erro terrível isso) ou como expressão artśitica. Raros são os trabalhos reconhecidamente voltados para a ajuda.

Em resumo, por um simples detalhe que observo no vasto campo de profissionais desta dança, principalmente usando a saia, dá pra saber o quanto estão fiéis a esta cultura. Dos homens, se não são travestidos de piratas, são caubóis numa alusão ao calon existente aqui no Brasil... como se todo calon existente no mundo se vestisse desta única forma e toda veste pirata remetesse aos outros ciganos masculinos no mundo.

Fica aqui uma reflexão cultural que vendem país afora sobre esta arte. Por isso me afastei das distorções culturais artísticas, mas não dos poucos ciganos que tenho acesso e não se misturam com essa gente.
E declaro ser apaixonado por esta cultura. Como acessei estas informações?
Estudando e refletindo...

Por isso que muitas vezes o silêncio deles dói mais do que manifestos em defesa própria. Quanto mais errarem em sua cultura, mais estarão protegidos e distantes e menos saberemos como lidar com eles. Por isso se afastam... e continuam na estrada sejam sedentários, semi-nômades ou nômades (os mais viśiveis entre nós).


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Emprestando um grito...

Enquanto muitos se travestem e fingem ser ciganos país afora e uns tantos que o são de verdade e se aproveitam desta ocasião como oportunistas, em várias partes do mundo esta etnia ainda é perseguida mesmo que não sejam nenhum tipo de ameaça a não ser por serem literalmente livres. Ocorre aqui também bem perto...

Recebo de uma amiga romi (cigana) de Volta Redonda, RJ, o seguinte artigo no jornal A Voz da Cidade datado de 02/12/2017... (vale lembrar que aquela região incluindo Barra Mansa e Resende é rota migratória de ciganos)


O fato é a ignorância tanto da cultura como as vistas cegas para o que acontece ali. As calins (ciganas descendentes dos ciganos portugueses que aqui estão praticamente desde a transferência da coroa para cá) não mendigavam e nem exploravam seus filhos conforme denúncia feita, pois trabalhavam vendendo panos de prato!

Segundo bom senso, isto não indica nenhum ato exploratório de seus filhos e sequer fere o Estatuto do Menor conforme relata o representante do Ministério Público local.

Pergunta fica no ar: por qual razão vemos em todas as cidades crianças gadjes (não ciganas) trabalhando nas ruas vendendo balas nos sinais (e às vezes até com seus pais por perto) e nunca vemos as mesmas medidas tomadas sobre suas tutelas?

O desconhecimento da cultura cigana, da lei que o permite exercer sua etnia em território nacional e o descaso mascarado contra a etnia naquela região faz a gente pensar como deveríamos agir para ajudar.

Seriam eles diferentes de outros por serem de outra etnia?

Em meio a momentos de puro preconceito sob os olhos da intolerância atual em diversos segmentos, deveríamos rever os conceitos que carregamos...ou a falta deles.

Ainda menciono quantas vezes ouvi de pessoas estudiosas e ligadas a este povo que sua história sequer passa em nosso registro histórico se lembrarmos de que eles participaram da construção de nossa história e estão aqui desde o século XVI.

Por esta e tantas outras razões tenho minhas diferenças com pessoas que brincam de serem ciganas, que usufruem ainda que mal e porcamente da cultura para terem seu "ganha pão" artístico ou místico, de alguns poucos mal caráter infelizmente presentes dentro da etnia e que sequer movem uma palha para ajudar seu semelhante. Quando muito, com algum cargo de alguma ONG se postando como representante desta minoria étnica e ainda conseguindo algum dinheiro para si diante dos maiorais em Brasília, mas não para aplicar na causa dos ciganos nômades e semi nômades espalhados pelo país os quais supostamente dizem representar.

Aqui apenas empresto meu espaço no blog para dar, ainda que apenas escrito por mim mesmo e em prol dos amigos ciganos, um grito sobre o assunto e pedir  que tenham um olhar mais seguro sobre a etnia antes de tomarem qualquer atitude insana. Concordarei se houverem ciganos que sejam infratores das leis de nosso país e que devem ser julgados como qualquer cidadão pelas leis comuns a todos.

Não há nada melhor que os devidos Ministérios e Secretarias Sociais, além da própria população local, se atenham da lei que os libera exercerem sua etnia em nosso país e verem se as referidas denúncias não são alvo de puro preconceito, o que é crime previsto em lei.

Pronto, gritei!
Desta vez com uma situação recente, pois de tantas outras já falei aqui e com baixíssimos resultados positivos.

Espero com este grito fazer com que aqueles que lêem meus artigos aqui, que (re)pensem sobre nossa pluralidade étnica e as respeitem como são.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Desabafo profissional...

Escolhi uma profissão bonita, romântica e difícil. Sonhei difícil nas escolhas que tive na vida e escolhi das que gostava a mais difícil, a dança. Ainda escolhi uma das mais difíceis: o Flamenco.
Sonhei apenas em dançar e acabei em choque com o processo do aprendizado e do ensino pela competência do mercado.
Por causa disso fui aprender a ser professor para ajudar a ser mais correto e não passarem o que passei. E nunca me coloquei como absoluto nisso!
Me deparei com gente graúda que me induziu a ser desonesto ou a desrespeitar meu estilo de dança achando que eu não perceberia.
Mas aqueles bons que encontrei deixei menção em vários artigos aqui em meu blog com lugares especiais pra mim. E segui seus exemplos!
Saí do bairro nobre e fui para o subúrbio e nada adiantou.
A ignorância prefere mesmo continuar ignorante por ser cómodo!
Escolhi errado ao ser apenas um subalterno por achar que seria menos complicado que ter meu espaço.
Critiquei alguns colegas que hoje reconheço serem corajosos por abrirem seus espaços e enfrentarem as adversidades da direção e da gestão de seu próprio negócio.
Sim, eu que dei murro em ponta de facas! Reconheço...
Se me arrependo? Sim... mas demorei pra enxergar isso.
Alguém se importou?
Algum amigo orientou?
Me estenderam a mão?
Aliás, existe amigo profissional honesto e sincero?
Não, pelo menos não apareceram pra mim.
Apenas alguns lastimaram e se afastaram porque não toleraram escutar o que eu tinha pra dizer mesmo que os escutasse... nem mesmo pra me falar algo positivo ou negativo! Apenas alguns lastimaram, quase sempre, somente com um olhar triste.
Desisti? NÃO!
Meu problema não é com a dança, mas no relacionamento profissional.
Sim, estou realizado porque dancei em palcos, fiz shows de grupo, participei como solista e dei aulas em muitos lugares.
Prêmios? Ganhei alguns, mas este nunca foi meu objetivo é agradeço os que apareceram.
Divergência no aprendizado é normal e respeito a capacidade de cada um.
Me disseram que sou metido e digo que sou orgulhoso.
Me chamaram de dono das verdades e digo que sou sincero e honesto.
Me disseram que eu sou invejoso e digo que nunca quis o lugar de ninguém. Apenas acho que se beneficiar enganando os outros não é justo. E falo isso! Mas não digo quem e nem o local... O tempo sempre mostra o caráter de cada um para quem quer enxergar.
Me disseram que me acho o melhor e nunca afirmei isso pois sei bem quem sou e o que tenho a oferecer. Nunca fui o melhor bailarino mas minha aula nunca deixou a desejar... se não sabem o significado de orgulho, sinceridade e honestidade não será problema meu embora quem sofra com isso sou eu mesmo.
Procuro perfeição? NÃO! Mas estar perto dela e de gente que busca o mesmo e é aí que a coisa complica...
O mercado há anos massacra aquele que é modesto e honesto e conheci muitos colegas que desistiram por não suportarem a pressão.
Errei de novo ao acreditar que lutar e ficar aqui dando murro em ponta de facas eu conseguiria sozinho abrir um canal, um espaço ou uma brecha pra seguir... "uma andorinha não faz um verão" já diz o ditado.
Perdi tempo? Não sei dizer afirmando com precisão, pois posso ter deixado um alerta por onde passei e quizá algum dia se lembrem disso.
O que aconteceu?
Não existe amigo profissional. Existe o colega que tem o mesmo interesse... e este eu não encontrei, infelizmente.
Com isso digo que os outros estão errados? Não os que fizeram suas escolhas de seguir e por caminhos semelhantes em seus espaços. Reconheço eles... os outros praticantes de mentiras insólitas de minha profissão ficam apenas na lembrança da experiência que convivi e ver com cada um que certamente não era aquilo que eu queria pra mim.
Fazer dinheiro sei sim, mas só não faço de forma desonesta que é o que impera no mercado de minha região. Virei nômade por isso e o ciclo de mudanças de local acontece com frequência, pois fico aqui e ali até não dar pra ficar pela incompatibilidade mesmo.
Uma coisa é estabelecer normas, chegar a acordos e eu sempre ceder mas nunca receber a recíproca quando cobro minha parte e falo do respeito e não do dinheiro. E ainda sou tachado de intolerante e não saber me relacionar nos espaços. É isso que fico sabendo quando saio deles. Será que eu sou o errado sempre? Todas as vezes que saí de um lugar pensei nisso. Será eu?
Trabalho é troca justa pra mim. Forneço conhecimento e ganho dinheiro. Mas quase ninguém quer e saem das salas atrás de imediatismo quando o próprio espaço não se desmascara com o tempo e não valoriza isso ... e o errado sou eu.
Cansei... Não tem como! Os diretores sempre estarão certos! Pra mim apenas são egoístas e inflexíveis.
Não sou perfeito, mas não costumo persistir quando erro e detesto que me induzam aos erros alheios ou ser conivente com eles!
Comecei sozinho na dança e acabarei sozinho.
Seguirei até onde o corpo deixar e enquanto existir um lugarzinho pra dançar ou dar aulas.
Terminarei feliz com minha arte que escolhi porque não enganei ninguém, não inventei mentiras, não escondi conhecimentos e não prejudiquei ninguém por estudar, investigar, refletir e somar conhecimentos idôneos, não me sobrepus a ninguém alegando ser melhor que eles, não esperei reconhecimentos pois sei o que é a essência da arte Flamenca e a ela sou grato por me ensinar a destilar a própria vida.
Não fiquei rico e não ganhei bens materiais que não fosse o próprio conhecimento desta arte.
Nunca quis ser famoso, estar em voga na mídia ou na moda porque não me preenche em nada.
Não me vitimizo porque não é de minha índole e fui apenas vítima do próprio sistema que se alimenta disso. Eu não...
Não associei outras fontes de conhecimentos como a religião e a junção inapropriada de outros estilos de dança que não domino pra me prevalescer no mercado.
Apenas descobri amargamente que não se sobrevive honesta e sinceramente no mercado de trabalho nos dias de hoje porque em algum lugar o sistema pede para que se corrompa em alguma coisa para prosseguir... e esta é uma atitude que não carregarei pro túmulo e muito menos no espírito.
Muita destas pessoas errôneas que fizeram meus cursos usam meu nome de forma inapropriada (apenas porque fizeram algum curso) para afirmarrm seus erros de conduta e isso também já deixei claro em outros artigos aqui no blog.
Como qualquer um, aprendi a dominar meu ego e controlar minha vaidade. Se isso não é ser humilde, então ainda não me ensinaram como ser e nem descobri.
Cansei de lidar com as pessoas que se indisponibilizam para seguir reto e sem algum tipo de trapaça.
E aí morro como qualquer atista...
...solitário, taciturno mas feliz por ter sido fiel a arte que escolhi.
Muito obrigado, Flamenco, por me ensinar a entender, respeitar e aceitar as diversidades da vida e nunca me entregar para a derrota.
Ah, Flamenco, você me ensinou a me reconhecer como indivíduo no universo, me ensinou a sentir ao máximo as diversas emoções...
Obrigado por me permitir adentrar sua existência, me deixar dizer que também fui um artista flamenco e que de alguma forma contribuí pra sua existência.
Sei bem o que é uma Soleá... uma saudade de algo que nunca tive.
Gracias!